
O que é uma quimera?
Uma quimera, na genética, refere-se a um organismo que possui múltiplos DNAs ou populações distintas de células genéticas.
Isso pode ocorrer tanto de forma natural quanto como resultado de uma intervenção humana. É importante destacar que existem diferentes graus de integração de uma quimera em um indivíduo, o que pode tornar o diagnóstico mais complexo.
Quimerismo natural:
O fenômeno do quimerismo é extremamente raro em seres humanos, mas não totalmente impossível. Geralmente resulta de uma fertilização múltipla, criando várias células-tronco que mantêm seus próprios traços genéticos durante a divisão. O organismo resultante é, então, uma combinação de DNAs distintos, mas compatíveis.
As quimeras têm mais chances de surgir em gestações gemelares que deveriam ter dado origem a gêmeos, mas que continuam o desenvolvimento apenas em um único embrião. O feto passa então a ter um código genético duplo, composto por dois DNAs assimilados ou presentes apenas em algumas linhagens celulares específicas.
Também existem casos de microquimerismo, revelando a presença de células estrangeiras em pequenas quantidades em um hospedeiro, que podem ser toleradas sem consequências vitais aparentes.
Um exemplo pode ser observado em mulheres grávidas, nas quais algumas células fetais do bebê migram para a mãe e permanecem em seus órgãos como o cérebro e o fígado por longos períodos. E o inverso também pode acontecer: o bebê pode receber pequenas quantidades de DNA da mãe.
O quimerismo raramente é diagnosticado, e quando ocorre, geralmente é por acaso — por exemplo, durante a realização de testes genéticos para transplantes. Na verdade, muitas pessoas vivem toda a vida sem saber que possuem DNA de quimera.
Quimerismo artificial:
Algumas pessoas podem adquirir um segundo DNA ao se submeterem a tratamentos médicos, como:
• Transplantes de medula óssea,
• Tratamentos com células-tronco,
• Transfusões de sangue.
Nas transfusões, o efeito é temporário. Já nos transplantes de medula óssea, o paciente passará a ter permanentemente dois conjuntos de DNA, pois a medula é responsável pela produção das células sanguíneas. Assim, a medula transplantada continuará a gerar células sanguíneas do doador — introduzindo um segundo DNA no corpo do receptor.
Dependendo da situação, o sangue do paciente pode ser uma mistura do DNA original com o DNA do doador, ou ser completamente composto pelo DNA do doador. Isso é chamado de quimerismo artificial.
Na maioria das vezes, esse quimerismo é detectado no sangue, mas ele também pode estar presente em outras áreas, como o sistema reprodutor. Portanto, um pai com quimerismo pode transmitir mais de um conjunto de DNA a seus filhos, o que pode dificultar a obtenção de resultados precisos em testes genéticos.
Como identificar uma quimera com um teste de DNA?
Embora raro, o conhecimento sobre o quimerismo pode esclarecer dúvidas em casos onde se exige certeza absoluta sobre vínculos biológicos.
Recomenda-se realizar vários testes de DNA comparando perfis genéticos de diferentes amostras do mesmo indivíduo para verificar a presença de quimerismo.
Para isso, você pode fazer um teste de DNA com amostras coletadas de diferentes partes do corpo — como saliva, sangue, sêmen, cabelos e unhas. Em todas as análises, o laboratório utilizará os mesmos marcadores genéticos para estabelecer o perfil. Assim, é possível comparar os resultados e identificar eventuais diferenças. Em uma pessoa sem quimerismo, os resultados devem ser idênticos, pois o DNA é o mesmo em todas as células do corpo.
⚠ Atenção: algumas quimeras podem estar presentes apenas em órgãos que não podem ser testados facilmente, como fígado, intestino ou coração. Mas se a dúvida estiver relacionada à filiação, a amostra mais importante a ser testada é a de sêmen.
Uma quimera pode fazer um teste de DNA?
Não é recomendado fazer testes de DNA com amostras de sangue após uma transfusão, transplante de medula óssea, transplante de órgãos ou tratamento com células-tronco.
Alguns testes de DNA, como o teste pré-natal de paternidade ou o teste para descobrir o sexo do bebê, são simplesmente impossíveis, e os laboratórios recusam amostras quando a pessoa se declara como quimera.
No entanto, a análise genética do seu DNA pode ser útil após uma transfusão, se você quiser verificar se também se tornou portador do DNA de outra pessoa.
Pode ser benéfico realizar testes de DNA após uma transfusão se houver suspeita de quimerismo, especialmente para casos relacionados à filiação ou identidade genética.